domingo, 17 de outubro de 2010

Capitulo 4 – Parte 4

Gina ainda era sua esposa, a primeira das quatro que as leis lhe permitiam ter. Mas em Jaquir o casamento se tornara sua prisão. Ela girou o anel de diamante no dedo, enquanto observava a água murmurar no chafariz. Vanessa começou a jogar pedrinhas na água, para fazer a carpa brilhante nadar.

- Não gosto de Meri - disse Vanessa. Num mundo tão res­trito como o de um harém havia pouco para se falar, exceto as ou­tras mulheres e crianças. - Ela estufa aquela barriga e sorri assim.
Vanessa fez uma careta e Gina não pôde deixar de soltar uma risada.

- Ah, como você é boa para mim ... - Gina beijou o topo da cabeça da filha. - Minha pequena atriz!

Ela tinha os olhos do pai, pensou Gina, enquanto afastava os cabelos do rosto da menina. Ajudavam-na a lembrar-se do tempo em que Abdu Greg a contemplava com amor e afeto.

- Na América, as pessoas entrariam em filas quilométricas só para vê-la.
Satisfeita com a idéia, Vanessa sorriu.

- Como acontecia com você?

- Isso mesmo. - Gina olhou para a água. Às vezes era difícil lembrar a outra pessoa que ela fora. - Era o que faziam para me ver. Eu sempre quis deixar as pessoas felizes, Nessa.

- Quando a repórter veio, disse que sentiam saudade de você.

- Repórter? - Fora há dois ou três anos. Não, há mais tempo. Talvez quatro anos. Era estranho como o tempo se tornava indistinto. Abdu Greg concordara com a entrevista para silenciar qualquer rumor sobre o casamento. Ela não esperava que a menina lembrasse. Afinal, Nessa não devia ter mais do que quatro ou cinco anos na ocasião. - O que você achou dela?

- Falava de uma maneira esquisita, às vezes muito depressa. Os cabelos eram muito curtos, como os de um menino, da cor da palha. Ela ficou zangada porque só a deixaram bater algumas fotos e depois tiraram a câmera.

Gina sentou-se num banco de mármore. Vanessa continuou a jogar pedrinhas na água.

- Ela disse também que você era a mulher mais linda e mais invejada do mundo. Perguntou se usava um véu.

- Você não esquece nada, não é?

Gina também lembrava. Inventara uma história sobre o calor e a poeira, o uso do véu para proteger a pele.

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Meninaaaas (o), boom andei sumida, mas nem no blog eu estava mais entrando, maaas já estou de volta ;).

Obrigada pelos comentarios, e bem vinda Sophie e Gui ;D

Anônimo: hm, tudo bem, não paro mais ;), obrigada.

Taina: hm, acho q o blog deve está com alguns problemas, depois dou uma olhada. Bom vai demorar um pouquinho sim, mas vou dar um jeito de fazer isso acontecer loogo ;DD

Guilherme: eu não sumi, vc q não entra mais no msn, ve se volta a entrar. To com saudades de te encher o saco UHASUHUSHUHAS. Isso nao foi engraçado u_u.

Sophie: Bem vinda! Falta um pouquinho, mas darei um jeito pra chegar logo. Tudo bem, pode xingar a vontade, tbm xingo muito aqui, e o pai dela é mesmo um ordinário. AAh e ameei seu nome, meeeninaaa q nome perfeito, saaabia q se eu chegar a ter uma filha quero colocar Sophie *-* UHUHSAUHASUH, blz esqueece isso, tive um surto aqui UHSAUHASHUSA.  

Bom, vou postar mais 2 partes, pq amanha é aniversário do ZAAAAAAC  *---*,awwwn meu bebê ta crescendo *O*, e eu nao sei se amanha vou entrar no blog, vou fazer de TUDO pra entrar, mas não garanto nada. Mas se amanha eu entrar vou postar umas 4 partes *-* 

beeeijos ;*

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Capitulo 4 – Parte 3

Só que não podia partir. Gina fechou os olhos, tentando blo­quear o som dos tambores. Para deixar Jaquir, uma mulher precisa­va de autorização por escrito de um homem de sua família. Abdu Greg nunca lhe daria essa permissão, pois continuava a desejá-la, por mais que a odiasse.

Gina já lhe suplicara que ele a deixasse ir embora, mas Abdu Greg recusara. A fuga exigiria milhares de dólares, e um risco que ela estava quase disposta a assumir. Mas nunca deixaria Jaquir sem Vanessa. E não havia suborno bastante grande para tentar alguém a fornecer uma passagem ilegal para a filha do rei. 

Gina também tinha medo. Medo do que ele poderia fazer com Vanessa. Ele a tomaria da mãe, pensou Gina. Não haveria nada que pudesse impedi-lo, nenhum tribunal para o qual apelar senão seu próprio tribunal, nenhuma polícia para recorrer senão sua própria polícia. Ela nunca arriscaria Vanessa. 

Mais de uma vez, pensara em suicídio. A suprema fuga. Pen­sava a respeito como antes pensava no ato de amor, uma coisa a ser desejada, apreciada, prolongada. Às vezes, nas tardes quentes e in­termináveis, olhava para o vidro de pílulas e especulava qual seria a sensação de tomar tudo de uma só vez, resvalando depois por com­pleto para o nebuloso mundo dos sonhos. Algo glorioso. 

Chegara a ponto de despejar todas as pílulas na mão, contando-as e acari­ciando-as.
Mas havia Vanessa. Sempre Vanessa.

Por isso, ficaria. Drogava-se e continuaria drogando-se até que a realidade se tornasse suportável. Mas daria alguma coisa sua para a filha.

- Quero o sol - disse Gina, abruptamente. - Vamos sair para o jardim.

Vanessa queria permanecer onde estava, embalada pelas fra­grâncias e sons. Mas levantou-se, obediente, e saiu com a mãe.

O calor seco envolveu-as. Como sempre, doía nos olhos de Gina, fazendo-a ansiar por uma brisa do Pacífico. Já tivera uma casa em Malibu, onde adorava se sentar na varanda grande e espa­çosa e contemplar as ondas no mar azul. 

Aqui havia flores, viçosas, exóticas, exalando um perfume in­tenso. Os muros eram altos, para evitar que uma mulher entrasse ali e tentasse qualquer homem de passagem. O Islã era assim. Uma mulher era uma criatura sexual fraca, sem força ou inteligência para guardar sua virtude. Os homens guardavam-na por ela.

O ar no oásis do jardim vibrava com o canto dos passarinhos. Na primeira vez em que vira aquele jardim, com sua exuberância de flores e perfumes inebriantes, Gina pensara que saíra direto de um filme. Ao redor, as areias do deserto se movimentavam, mas ali havia jasmins, oleandros, hibiscos. Laranjeiras e limoeiros em mi­niatura vicejavam. Ela sabia que os frutos, como os olhos de seu marido, eram amargos.

De uma maneira irresistível, ela foi atraída para o chafariz. Fora o presente que Abdu Greg, lhe dera quando a trouxera para o país, como sua rainha. Um símbolo do fluxo constante de seu amor. O amor há muito que secara, mas o chafariz continuava jorrando.

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Gente, vocês estão gostando da história? 
Por favor me respondam, pq vcs q são blogueiras sabem q não é nada legal, vir aqui, dar o máximo de vc e no final vc receber apenas 1 comentario, é sério, isso nao é legal.
Então por favor, eu sei q nao sou obrigada a postar aqui e vcs tbm não são obrigados a comentar, mas são os comentarios q nos motivam a querer continuar e seguir em frente.
Esses dias eu estava pensando e resolvi q eu vou ter q parar com o blog, (querendo ou não) mas eu nao quero fazer isso agora, pq eu já adaptei vários capitulos dessa história e comecei a adaptar outra, pra mais na frente eu começar a postar, e tbm pq quando eu fiz esse blog eu fiz um compromisso com vcs, então por favor, se vc está lendo deixe um comentario nem q seja pra dar um "oi" ou algo do tipo ;).

Obrigada. 


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Capitulo 4 – Parte 2

Gina passou a tomar uma pílula a cada manhã. Escapava agora para seus sonhos durante todo o tempo, dormindo ou acordada.

No harém, com a cabeça aninhada em conforto no colo da mãe, os olhos contraídos contra a fumaça do incenso, Vanessa observava as primas dançarem. A tarde longa e quente estendia-se pela frente. Pensara em sair para fazer compras, talvez adquirir uma seda nova ou uma pulseira de ouro, como a que Duja Ashley lhe mostrara no dia anterior. Mas a mãe parecia apática demais pela manhã.

Fariam compras no dia seguinte. Hoje, os ventiladores agitavam o ar impregnado de incenso, enquanto os tambores ressoavam num ritmo lento. Latifa levara para o harém, às escondidas, um catálogo da Frederick's, de Hollywood. As mulheres examinavam as ofertas e riam. Como sempre, a conversa era sobre sexo. Vanessa estava bastante acostumada às palavras francas e descrições excitadas para se sentir interessada. Gostava de observar a dança, os movimentos longos e sinuosos, o fluxo dos cabelos escuros, as voltas dos corpos. 

Vanessa olhou para Meri, a terceira esposa do pai, com a bar­riga estufada, contente e presunçosa, sentada ali perto, conversando sobre o parto. Leiha, o rosto contraído enquanto amamentava a filha mais nova, lançava olhares furtivos para Meri. Fahid, um menino corpulento, de cinco anos, aproximou-se da mãe, clamando por atenção. Sem a menor hesitação, Leiha largou a filha. Seu sorri­so era de triunfo quando levou o menino ao seio.

- É de admirar que eles cresçam para abusar de nós - murmurou Gina.

- O que disse, mamãe?

- Não foi nada.

Distraída, ela acariciou os cabelos da filha. A batida dos tambo­res vibrava em sua cabeça, monótona, inexorável, como os dias pas­sados no harém.

- Na América, todos os bebês são amados, meninos e meni­nas. E não se espera que as mulheres passem a vida tendo filhos.

- Como uma tribo permanece forte?

Gina suspirou. Havia dias em que não pensava mais com cla­reza. Tinha de culpar as pílulas por isso ... e também agradecer. O último suprimento lhe custara um anel de esmeralda, mas ganhara como bonificação uma garrafa de meio litro de vodca russa. Consu­mia da maneira mais comedida, tomando apenas um copo pequeno depois de cada vez que Abdu Greg aparecia em seu quarto.

Não lutava mais contra ele, não se importava mais; suportava ao pensar no conforto que sentiria ao tomar a vodca assim que ele se retirasse.

Podia ir embora. Se ao menos tivesse coragem, podia pegar Vanessa e fugir, de volta ao mundo real, onde as mulheres não eram obrigadas a cobrir o corpo em vergonha e se submeter aos caprichos mais cruéis dos homens. Podia voltar para os Estados Unidos, onde era amada, onde as pessoas lotavam os cinemas para assisti-la. Ainda podia representar. Não era o que fazia todos os dias? Nos Estados Unidos, poderia proporcionar uma boa vida a Vanessa. 


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Capitulo 4 – Parte 1

Vanessa adorava os suques, os mercados árabes. Quando tinha oito anos, já aprendera a avaliar a diferença entre diamantes e vidro cintilante, entre rubis birmaneses e pedras de cor de qualidade inferior. Com Jiddah, sua avó, aprendeu a julgar, com a mesma eficiência de um mestre joalheiro, a lapida­ção, a pureza e a cor. Vagueava por horas, acompanhando Jiddah, admirando as melhores pedras que os suques tinham a oferecer.

As jóias que uma mulher podia usar eram sua segurança, comentava Jiddah. De que serviam para uma mulher barras de ouro e dinheiro guardados num banco? Diamantes, esmeraldas, safiras podiam ser pregados nas lapelas, pendurados no pescoço ou nas orelhas para que uma mulher mostrasse ao mundo o quanto valia.

Nada agradava mais a Vanessa - do que observar a avó barga­nhar nos mercados, enquanto o calor subia em ondas, para tornar o ar mais tremeluzente. Iam até lá, com freqüência, bandos de mu­lheres, vestidas de preto, como corvos, para apalpar cordões de ouro e prata, enfiar nos dedos anéis de pedras polidas ou apenas estudar o brilho das jóias através do vidro empoeirado, enquanto os cheiros de animais e condimentos pairavam no ar parado e os matawain vagueavam em suas barbas desgrenhadas, as pontas pintadas de hena, prontos para punir qualquer violação da lei religiosa. Vanessa nunca temia os matawain quando estava com Jiddah. A antiga rainha era reverenciada em Jaquir. Tivera 12 crianças. Quando faziam compras, o ar ressoava com os sons, os gritos das negociações, o zurro de um jumento, o barulho de sandálias no chão duro.

Quando o chamado para a oração soava, os suques fechavam. As mulheres esperavam, enquanto os homens baixavam o rosto para o chão. Vanessa escutava os estalidos das contas de oração, a cabeça inclinada, como as outras mulheres. Ainda não usava véu, mas já não era mais uma criança. Naqueles últimos dias do verão mediterrâneo, ela esperava, suspensa à beira da mudança.

O mesmo acontecia com Jaquir. Embora o país lutasse contra a pobreza, a Casa de Jaquir era rica. Como a primeira filha do rei, tinha direito a símbolos e sinais de sua posição. Mas o coração de Abdu Greg nunca se abrira para ela.

A segunda esposa lhe dera duas filhas, depois de Fahid. Circulara no harém o rumor de que Abdu Greg tivera um acesso de raiva depois da segunda menina e quase se divorciara de Leiha. Mas o príncipe herdeiro era forte e bonito. Havia a especulação de que Leiha estava grávida de novo. Para garantir sua linhagem, Abdu Greg tomou uma terceira esposa, que logo engravidou. 

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Dependendo do tanto de coments, amanha tem post.
bom como fiquei o final de semana sem internet, é q minha internet é via antena (meu passado me condena, maldita seja essa antena), aii a porra da antena ta com problemas e ultimamente essa porra está me deixando muuuito sem internet, vou ter q trocar um fio ai, caso eu suma é por causa disso, mas enfim como fiquei o final de semana sem internet vou me atualizar nos blogs de vcs agora.
E tentar voltar a ler uns blogs q eu abandonei ;((, se eu nao estou comentando no seu blog me avise, darei um jeito de me atualizar ;D.

beeeijos ;*

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Capitulo 3 – Parte 5

- Seria maravilhoso. - Starla resistiu ao impulso de acariciar os cabelos do filho, sabendo que isso o deixaria embaraçado. - ­Grace Kelly trabalha no filme. Imagine, uma princesa da vida real. Pensei a respeito esta manhã, quando abri uma revista, e deparei com uma reportagem sobre Gina Hudgens.

- Quem?

- Oh, Zachary ... - Starla estalou a língua e abriu a revista na página da reportagem. –Gina Hudgens, a mulher mais linda do mundo.

- Minha mãe é a mulher mais linda do mundo.

Zachary fez a declaração porque sabia que isso a faria rir e corar.

 - Você tem mesmo um jeito todo especial! - Starla riu, uma risada vigorosa, como ele adorava ouvir. - Mas olhe só para ela. Era uma atriz, uma atriz maravilhosa. Casou com um rei. Agora, vive com o homem de seus sonhos num palácio fabuloso em Jaquir. Parece um filme. E esta é a filha do casal. A princesa. Não tem cin­co anos, mas já possui uma beleza extraordinária ... não acha?

Zachary lançou um olhar desinteressado para a foto.

- É apenas uma criança.

- Mas tem alguma coisa estranha nela. A pobre menina tem os olhos mais tristes que já vi.

- Esta inventando uma história de novo, mamãe.

Zachary enfiou a mão no bolso, apertando o pequeno saco de couro. Deixaria a mãe com suas fantasias, os sonhos de Hollywood, realeza e limusines brancas. Mas ainda daria um jeito para que ela andasse num carro assim. Mais do que isso, compraria uma limusine a mãe. Agora, ela só podia ler sobre rainhas, mas algum dia viveria como uma rainha.

- Tenho de ir agora.

- Divirta-se, querido.

Starla estava absorvida de novo na revista. Uma linda menina, pensou ela de novo, sentindo um anseio maternal.

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Tava relendo os caps aqui, perceberam q o Zac já fazia fama desde adolescente? putz meu, a mulher lá com 25 anos dando em cima de um guri de 13, PEDOFELIA É CRIME PORRA UHASUHUASUAU

beeeeijos ;*

Capitulo 3 – Parte 4

- Ainda tenho algum dinheiro.

- Está bem. Não deixe de verificar se a galinha é fresca.

Ela estendeu quatro ingressos para uma mulher aflita, acompanhada por dois garotos brigando e uma menina com lágrimas nos olhos, enormes.

A sessão começaria dentro de cinco minutos. Starla teria de permanecer na bilheteria por mais 20, para o caso de aparecer algum retardatário.

- E não deixe de tirar o dinheiro da galinha da lata da despesa quando chegar em casa.
Ela já sabia que o filho não faria isso. Ao contrário, Zachary sem­pre punha dinheiro em vez de tirar.

- Mas você não deveria estar na escola?

- Hoje é sábado, mãe.

- Sábado? Ah, sim, hoje é sábado ... - Com um esforço para não suspirar, Starla esticou as costas. Pegou uma revista lustrosa, já muito folheada. - O Sr. Faraday vai apresentar um festival de Cary Grant no próximo mês. Até me pediu para ajudá-lo a escolher os filmes.

- Isso é ótimo.

O pequeno saco de couro começava a pesar no bolso de Zachary, que ansiava em sair dali.

- Vamos começar pelo meu filme predileto, Ladrão de Casaca I (To Catch a Thief). Tenho certeza de que você vai adorar.

- É possível.

Zachary estudou atentamente os olhos inocentes da mãe. Costumava especular sobre o quanto ela sabia. A mãe nunca perguntava, jamais questionava os pequenos extras que ele levava para casa. Starla não era uma idiota, mas apenas uma otimista. Ele tornou a beijá-la no rosto e acrescentou:

- Por que não a levo para assistir ao filme em sua noite de folga? 

sábado, 18 de setembro de 2010

Capitulo 3 – Parte 3

Zachary sempre esperava que outro homem entrasse na vida de sua mãe e a mudasse por completo. Ele correu os olhos pela peque­na bilheteria, que tinha um cheiro permanente dos vapores de des­carga de carros na rua. Trataria de mudar tudo primeiro.

- Devia dizer a Faraday para pôr algo melhor do que aquele velho aquecedor aqui, mamãe.

- Não se preocupe com essas coisas, Zac.

Starla contou o troco para duas adolescentes risonhas, que ten­tavam desesperadamente flertar com seu filho. Empurrou as moe­das pela calha, enquanto reprimia uma risada. Não podia culpá-las pela atitude. Afinal, já surpreendera até a sobrinha da vizinha - que tinha 25 anos, nem menos um dia - procurando atrair Zac. Sem­pre lhe oferecia um chá. Pedia-lhe para consertar a porta que rangia. Já era demais. Starla bateu com o troco na calha, com força suficien­te para arrancar um grunhido de uma babá de rosto redondo.

Pois acabaria com aquilo imediatamente. Sabia que Zac a dei­xaria um dia, e seria por causa de outra mulher. Mas não por uma vaca de seios enormes, pelo menos uma dúzia de anos mais velha. Não enquanto Starla Efron fosse viva.

- Algum problema, mamãe?

- Como? - Ela recuperou o controle, quase corando. ­– Não querido, nenhum problema. Não gostaria de entrar para assistir o filme? O Sr. Faraday não se importaria.

Desde que ele não me veja, pensou Zachary, com um sorriso. Agradecia a Deus por ter eliminado Faraday de sua lista de possíveis pais há muito tempo.

- Não, obrigado. Só passei para avisar que tenho alguns serviços para fazer. Quer que eu compre alguma coisa no mercado?

- Uma galinha seria ótimo.

Starla soprou as mãos, distraída, enquanto se recostava. Fazia frio na bilheteria, e seria ainda pior à medida que o inverno avançasse. No verão, era como um daqueles banhos turcos sobre os quais lera. Mas era um emprego. Quando uma mulher tinha um filho para criar e não muita instrução, tinha de aceitar o que apare­cia. Ela fez menção de estender a mão para a imitação de bolsa de couro. Nunca lhe passaria pela cabeça pegar uma ou duas notas de libra do caixa.